01/10/2007

Até quando?


Após o milagre da menina de 2 meses que foi salva antes de morrer na Lagoa da Pampulha, em Minas Gerais, surgiram mais casos de bebês abandonados. Dois foram encontrados já mortos e outro foi socorrido ainda com vida. Esses são os veiculados, os casos que chegaram aos meios de comunicação num prazo de 10 dias. A mídia está cobrindo como deve ou apenas noticiando os fatos à espera de mais um? Quantos mais existem, que finalmente sumiram no fundo de mares e lagoas, enterrados em jardins, abandonados em matagais ou que se misturaram ao lixo dos centros urbanos? Não sabemos, mas não é preciso ser perito em estatística para imaginar que o número de bebês abandonados é maior do que a mídia nos mostra e principalmente é um problema mais complexo do que as lentes das câmeras conseguem captar.

O bebê recém-nascido encontrado boiando em um rio em Contagem (MG) permanece internado na UTI neonatal de uma maternidade nesta segunda-feira (1º). Segundo os médicos, o estado da menina é considerado grave, mas estável. A criança foi tirada da água em um trecho que recebe esgoto de dois bairros da cidade.

De acordo com os médicos, a menina chegou ao hospital com hematomas no corpo, sangramento no nariz e temperatura abaixo do normal. Depois de receber atendimento, foi colocado em uma encubadora. O bebê tem 45 centímetros, pesa 2,110 quilos, está com infecção no aparelho digestivo e respira com ajuda de aparelhos.

Esse foi mais um triste caso. Mas até quando teremos que conviver com tamanha violência contra seres tão indefesos? Prender as mães que abandonam seus bebês gera de imediato e no mínimo mais bocas famintas, se a infeliz tem outros filhos para sustentar. Casas para abrigar grávidas abandonadas podem ser uma solução mais eficiente e preventiva para essas mulheres pobres que não são tão diferentes daquelas que se entopem de prozac para olhar na cara de seus bebês.

O que separa as pobres das ricas são páginas de revistas, desinformação, deseducação sexual, banalização da sexualidade e acesso a remédios "mágicos" que fazem rir quem está infeliz. Ambas são igualmente ignorantes, igualmente inconscientes de seus corpos e vítimas da mídia. Uma porque é escolhida para ser algoz, ré; a outra para ser a inconseqüente mimada.

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