30/11/2007

Umas palavras...

Renascer - Óleo sobre tela - Fernanda Martins

Pedido de Demissão

Venho, por meio desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos.
Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos, no máximo.
Quero acreditar que o mundo é justo, e que todas as pessoas são honestas e boas.
Quero acreditar que tudo é possível. Quero que as complexidades da vida passem despercebidas por mim, e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo.
Quero de volta uma vida simples e sem complicações.
Estou cansado de dias cheios de computadores que falham, montanhas de papelada, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe...
Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento.
Não quero mais ser obrigado a dizer adeus às pessoas queridas, e, com elas, a uma parte da minha vida.
Quero ter certeza de que Deus esta no céu, e de que, por isso, tudo está direitinho neste mundo.
Quero ir ao McDonalds ou à pizzaria da esquina, e achar que é melhor que um restaurante cinco estrelas.
Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva.
Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam.
Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.
Quero ficar feliz quando amadurece o primeiro caju ou a primeira manga, quando a jabuticabeira fica pretinha de fruta.
Quero poder passar as tardes de verão a sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.
Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida.
Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada ...
Eu quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce", e a "Ave Maria", e isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia...
Voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar e aborrecer.
Eu quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados,das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia. E o que eu mais quero estar convencido de que tudo isso vale muito mais do que o dinheiro!
Por isso, tomem aqui as chaves do carro, a lista do supermercado, as receitas do médico, o talão de cheques, os cartões de crédito, o contra-cheque, os crachás de identificação, o pacotão de contas a pagar, a declaração de renda, a declaração de bens, as senhas do meu computador e das contas no banco, e resolvam as coisas do jeito que quiserem !!!!!!!!!!!
A partir de hoje deixo isso com vocês, porque eu estou me demitindo da vida de adulto.
E aí vai meu lema : NÃO TENHAM MEDO DE SEREM FELIZES !

(Um ex-adulto desconhecido)

Tenho refletido bastante depois de ter lido um post da minha amiga blogueira Layla, do Ressaca di Homi. Confesso que, de início, fui extremamente solidária à sua vizinha de leito (leiam o post) e fiquei cá pensando com os meus botões: será que aquela mulher tinha alguma coisa boa para comentar naquele momento? Fiquei divagando como teria sido a vida dela, as dificuldades pelas quais ela passou e o quanto a vida pode ter sido ingrata para ela.

Acabei vendo um espelho da minha vida. Ultimamente tenho me sentido melancólica e deprimida. Não vou tecer aqui comentários sobre os meus motivos, porque não quero parecer igual àquela doente que não tinha nada de bom para dividir com ninguém.

Já comentei aqui uma vez que nenhum de nós gosta, ou se sente bem, diante de uma pessoa que só tenha reclamações e lamentações a fazer. É chato, desagradável, negativo.

Tenho pensado muito na Ninha, do Big Bronkas Brasil, nesses últimos dias. Incrível como é esse mundão de Net BBB. Um dia apareceu no meu haloscan uma moça, a Ninha, com comentários sempre carinhosos para mim e meus comentaristas. Por insistência dela, coloquei seu link no meu blog, não sem antes ir lá conferir o seu trabalho. Nunca a vi ofender qualquer pessoa que fosse, embora eu não fique bisbilhotando os sistemas de comentários por aí afora. Sei muito pouco do que rola no submundo da blogosfera. É uma opção minha, evitar aborrecimentos e dissabores. Já os tenho em demasia na vida real.

Recebi um e-mail da Ninha outro dia. Era um pedido de socorro (por motivos já expostos em outros blogs). Confesso que falhei como ser humano nesse momento. Talvez ela precisasse apenas de uma palavra amiga, de um carinho, de um colo. Mas olhei meu próprio umbigo e me fechei nos meus problemas, ignorando o quão importante poderia ter sido o meu retorno para uma pessoa que eu nunca vi, mas que tem admiração por mim e pela minha postura. Peço desculpas aqui, de público, à Ninha. Que Deus a ilumine sempre!

Tomo agora a decisão de parar de blogar. Não sei se para sempre, ou por algum tempo. Agradeço à Layla por essa minha parada. Preciso disso para refletir, para renovar, para reviver. Não quero ser a mulher do hospital, a vizinha de leito. Não quero passar amargura nos meus posts, nem postar por postar.

Agradeço o carinho de todos vocês. Cada um tem seu cantinho reservado em meu coração. Aqui na Net eu sorri, me diverti, me apaixonei, ganhei, perdi, sofri, fui feliz. Devo isso a vocês. Fiquem com Deus! E respeitem-se, sempre...

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