10/12/2007

Certas coisas me aborrecem verdadeiramente na Net. Muito se fala em falta de respeito entre blogueiros, de ataques gratuitos, de mentiras, difamações, enfim, fala-se muito. E faz-se pior ainda.

Ultimamente tenho pensado muito na questão do namoro pela internet. Já passei por essa situação e continuo vendo amigos passando pelo constrangimento de terem acreditado que estavam vivendo um conto de fadas onde o príncipe ou a princesa viraram sapos, ou simplesmente sumiram na blogosfera.

Criamos o hábito de fazer tudo pela internet: conversar com os amigos, baixar músicas, imagens, games, fazer compras, e até conseguir um emprego. Uma conseqüência natural disso é que encontremos também um relacionamento pela web.

A comodidade de conhecer pessoas sem precisar sair de casa, o poder de deletar alguém que não está agradando e não correr o risco de um fora cara a cara são alguns dos atrativos da rede. Ela surge como uma alternativa para os mais tímidos, que podem assumir um personagem e paquerar à vontade, sem medo da exposição ou da rejeição direta.

Conheço muitas pessoas casadas que se envolvem virtualmente, com tamanha rapidez e facilidade, e com total certeza de que, por ser virtual, não caracteriza uma traição. Na cabeça dessas pessoas, se não há contato físico, elas continuam 'santas'. Basta desligar o computador, e a vida real está lá, intacta e pura.

Mas como é possível se apaixonar por alguém sem nunca tê-lo visto pessoalmente? Carência e solidão são os principais motivos e favorecem a idealização do outro. Apesar da frieza do computador, os namoros online são cheios de romantismo. Sem o contato físico, a necessidade afetiva do casal é suprida pela troca de mensagens apaixonadas, fotos e cartões virtuais.

Mas nem tudo são flores. Uma vez distantes, as pessoas não desenvolvem sentimentos como a tolerância e o companheirismo. Pelo computador, elas podem sumir da vida umas das outras sem deixar vestígios, simplesmente apertando o botão delete.

Conheço muitas pessoas que têm uma história de amor pela internet para contar. Mas não contam; têm vergonha. É coisa de maluco, ficar de pijamão, madrugada afora, com a pupila dilatada, em frente ao computador - teclando e se deixando teclar, por pessoas de origem desconhecida, de procedência absolutamente aleatória, de caráter imprevisível.

É, portanto, perfeitamente razoável que cidadãos esmagados pela rotina, pelas pressões, pelas obrigações, pelo cansaço procurem se distrair de alguma forma. O sexo é apenas mais uma dentre as tantas possibilidades. Cada um procura o nicho que mais lhe convém e descarrega nele suas frustrações e suas fantasias diárias. Daí para a internet, é só um passo.

O fato é que, independentemente do balanço negativo, as pessoas vão continuar se lançando às cegas, com o primeiro desconhecido simpático que for hábil no uso do vernáculo. E existem muitos por aí, escondidos pelos chats, pelos haloscans, valendo-se do anonimato dos nicks em busca de uma aventurazinha ou uma adrenalina a mais para apimentar seus casamentos mornos e estáveis.

Esse post de hoje é para você, que em algum momento deixou aflorar um sentimento maior em alguém, sem que tivesse a menor intenção de retribuir. Será que você consegue deitar a cabeça em seu travesseiro e dormir em paz?

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