09/11/2008

As charges

Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar, por meio de uma caricatura, algum acontecimento atual com uma ou mais personagens envolvidas. A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. As charges são muito utilizadas em críticas políticas no Brasil.

Apesar de ser confundido com cartoon (ou cartum), que é uma palavra de origem inglesa, é considerado como algo totalmente diferente, pois ao contrário da charge, que sempre é uma crítica contundente, o cartoon retrata situações mais corriqueiras do dia-a-dia da sociedade.

Mais do que um simples desenho, a charge é uma crítica político-social onde o artista expressa graficamente sua visão sobre determinadas situações cotidianas através do humor e da sátira. Para entender uma charge não precisa ser necessariamente uma pessoa culta, basta estar por dentro do que acontece ao seu redor. A charge tem um alcance maior do que um editorial, por exemplo, por isso a charge, como desenho crítico, é temida pelos poderosos. Não é à toa que quando se estabelece censura em algum país, a charge é o primeiro alvo dos censores.

As charges foram criadas no princípio do século XIX, por pessoas opostas a governos ou críticos políticos que queriam se expressar de forma jamais apresentada, inusitada. Foram reprimidos por governos (principalmente impérios), porém ganharam grande popularidade com a população, fato que acarretou sua existência até os tempos atuais.

Obama vestido como um muçulmano e de sua esposa Michelle de guerrilheira com um penteado "afro" e um fuzil, festejando a vitória no Salão Oval da Casa Branca

Enquanto isso, na terra do Tio Sam, os humoristas estudam Obama para manter piadas de presidente. Os talentosos humoristas e cartunistas americanos gostam de Barack Obama e muitos o apoiaram, mas eles não vão demorar a atacar o presidente eleito com suas línguas ferinas e caricaturas virulentas.

O chargista Ted Rall afirma que está impaciente para esquecer o presidente republicano George Bush.

- Fazer piada dele é tão fácil, é coisa de criança - afirmou em um debate sobre humor organizado em um teatro de Nova York, depois da eleição do senador democrata negro à Casa Branca. - Falar de Obama vai ser muito mais divertido.

O humor político passa por um período de glória nos Estados Unidos, onde o popular show televisivo Saturday Night Live bate todos os recordes de audiência no canal NBC, chegando inclusive a ter se transformado em fonte de informação.

A maioria dos artistas americanos é democrata convicta e os alvos preferidos deles são os republicanos. Desde que apareceu, em agosto, no cenário político como candidata a vice de John McCain, a governadora do Alasca, Sarah Palin, tornou-se a vítima predileta dos comediantes. Em particular Tina Fey, que demoliu a imagem dela com suas paródias no SNL.

Agora os comediantes se dedicam a estudar Obama.

- Ele é distante, rígido, vai ser algo fascinante - avaliou Rall, que proclama com orgulho suas convicções liberais.

A comediante Roseanne Barr acredita que a Presidência de Obama vai ser uma fonte de inspiração e "elevará o nível intelectual das piadas".

O debate foi organizado na abertura do festival de comédia de Nova York e permitiu ao presidente eleito ter uma idéia do que o aguarda. Para Roseanne Barr, será "uma ironia muito pungente". Seu colega Robert George, um ator negro, ri com alguma preocupação:

- Piadas agudas sobre um homem negro?

No fim do debate, os ânimos ficaram exaltados e vários artistas passaram a discutir com um dos únicos dois convidados conservadores presentes, Monica Crowley, do canal de TV Fox News.

- Isto começou a sair do controle - afirmou ao jornalista, em meio à gritaria provocada pela discussão sobre a guerra no Iraque e algumas propagandas extremamente agressivas da campanha de John McCain.

O jornal The Onion (A Cebola) já faz graça com Obama. Na edição mais recente publicou, por exemplo, um artigo com o título "Um negro recebe o pior emprego dos Estados Unidos".

Para a jovem atriz Lizz Winstead, uma coisa é garantida: as piadas alcançarão o objetivo.

- O tema será o poder e como ele é exercido. Obama colocará tudo a perder? Vai se tornar egocêntrico? - questiona.

- Claro que sim - responde o chargista Ted Rall. - Sempre é assim.

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