17/03/2009

Max e Francine maximizando a relação

Volto a falar de Max, não para defendê-lo fanaticamente, nem para acusar Francine ou minimizá-la, a partir de uma ótica filtrada numa preferência pelo carioca. Gosto dos dois e, por isso mesmo, gostaria de levantar algumas reflexões sobre a sombra que desceu sobre eles, desde o golpezinho do cartão que o mesquinho e tosco Boninho aplicou no casal, visando desestabilizá-los no romance e no jogo.

Se fazer passar por uma pessoa forte e durona é uma forma encontrada por Max de ocultar o que nele o incomoda tanto: sua fragilidade emocional, sua natureza doce e, até certo ponto, romântica. Se for verdade que os olhos são espelhos da alma, então os olhos de Max não conseguem ocultar as emoções que lhe toldam o espírito, como ocorreu durante o momento da chegada e da leitura do cartão do ex-namorado de Francine. Não só os seus olhos, como toda a sua expressão facial denunciavam o quanto estava abalado e constrangido com o inesperado e insólito “presente de grego” que desnecessariamente foi entregue à Francine. Inesperado e suspeito, diga-se de passagem, porque é do conhecimento dos confinados que não poderão receber correspondência de amigos, somente de familiares. Então, porque foi aberta a exceção justamente para entregar um cartão, já antigo, do ex-namorado de uma participante, já com namorado na casa? Pensem sobre isto e tirem as suas conclusões!

Max não é tolo, percebeu toda a malícia que envolvia a chegada do cartão, entregue bem depois dos presentes da família, mas dentro de um envelope rosa igual ao que trazia a carta da mãe de Francine. Deu-me aflição presenciar a cena propositadamente armada, inclusive sob a vigilância de Boninho que, ao perceber que Francine não pretendia ler o cartão para os demais, tronitruou sua voz de bode rouco, ordenando-lhe que o lesse em voz alta, imediatamente. Pelas telinhas do circuito interno, decerto ele deliciava-se com o vexame de Fran e de Max e, mais ainda, com o estrago que fizera. Max demonstra suas emoções no olhar, principalmente. Até nas fotos do casal pode-se perceber isto. Mesmo, quando afirmava para Flávio que não se sentira incomodado com a irrupção do fantasma de Dejota na relação dele com Fran, era visível que estava escondendo seus sentimentos por trás de sua aparente figura de durão, de cabeça feita, de moderninho que, também, se relaciona com ex-namoradas. Ele usa muito a razão, mas esta, muitas vezes, deixa passar por seus filtros as emoções e os sentimentos do Benhê.

Ontem, em conversa com Milena sobre Francine, o carioca disse que estava sentindo que desde sábado sente que a gaúcha o está evitando: “Até na festa ontem ela saiu e foi pro quarto ficar olhando para as cartas. Isso tudo, é óbvio que mexeu comigo, mas cabe a ela coordenar", diz Max, que continua: "Se eu sair e souber que a Fran está namorando com o cara, vou tentar levar na boa...". Milena indaga se ele sentirá ciúmes, se Fran procurar Dejota, ouvindo como resposta: "Sou super a favor do entendimento. E sinceramente, eu achei legal o que ele escreveu para ela. Sou amigo da maioria das minhas ex-namoradas. Inclusive foi o Dejota que me apresentou a Fran, através do 8p". Isso eu entendo e aprovo, mas que Fran conceda o mesmo direito a Max, sem ciumeiras, sem cobranças.

Ontem, depois da conversa com Max, Milena foi à varanda para conversar com Pri e Fran que falavam sobre o relacionamento da gaúcha com o carioca. "Ele comentou que você está mais afastada, que antes você estava grudada", diz a amazonense. "Eu me afastei para ele respirar mesmo, você mesmo me pediu isso", defende-se Fran. Milena completa: "Max acha que você se afastou por causa da carta do Dejota. Ele questionou que de repente, quando sair daqui, você pode voltar com o cara. Ele acha que o sentimento aflorou de novo". Aí está o ponto onde o desentendimento finca as suas raízes: a dúvida no futuro da relação, a insegurança nos sentimentos de Fran, o receio de ser ridicularizado em rede nacional. Imagine se ele soubesse o que ela conversou com Naná e Ana no quarto Procura-se! Imagine-se se ele soubesse que foi chamado de corno pela idosa albina, sem ser defendido por Fran.

Se aflorou ou não, o fato é que Francine ficou abalada com a chegada do cartão. Ambos pareciam ter superado o choque inicial, continuando a namorar, aparentando certa indiferença ao caso. Mas, não durou muito essa calmaria emocional. Ambos se afastaram, ele dormindo muito no quarto das Ovelhinhas, ela jogando conversa fora com a maldosa dupla albina, lendo e relendo o cartão de Dejota, pregado no mural ao lado de sua cama, no mesmo quarto que partilha com Max. A meu ver, Fran age assim para provocar ciúmes, para valorizar-se expondo a prova de que tem quem a queira mais que ele, sem se dar conta que o está magoando e, de certo modo, desmoralizando-o perante os demais.

As comparações que Naná e Ana fizeram entre Dejota e Max, enaltecendo as qualidades do ex-namorado e sublinhando os defeitos que viam em Max, não deixaram de exercer influência no espírito de Fran e no conseqüente afastamento dela de Max durante o domingo. Na madrugada de ontem, Max foi até o quarto onde Fran estava deitada. "Tá dormindo? Que pergunta boba", diz o carioca, ao vê-la acordada. Ele deita ao seu lado e vê que ela está com o "Dejotinha", sapo de pelúcia que foi batizado assim por Naná. Fran ri e diz: "Por isso você está aí todo ciumento". "Você está aí toda feliz porque estou com ciúmes", fala o carioca. A gaúcha implica com Max: "Ué, mas você não tem sentimento, é de ferro...". "Você está louco de amor...", diz a gaúcha. "Eu sou de ferro”, lembra, Max. "O que uma cartinha não faz num coração do homem", fala Fran. Max diz que não é "homem de pedra". “É de ferro", brinca Fran, que continua: "Se eu com toda a minha fofura e bucho não consegui amolecer esse coração". "Quem disse que você não amoleceu meu coração? Só estava fechado para balanço", diz o carioca. Fran brinca: "Estou dentro do seu coração? Uma casa ou um quartinho?" "Ah, nos fundos!", finaliza o artista plástico, tentando “minimizar” a força das palavras proferidas, mais uma vez tentando disfarçar seus sentimentos.

O carioca afirma para Fran: "Só vou te perder se você quiser. Você conviveu cinco meses com ele". "Seis meses", corrige Fran. "Ele é lindo, bem sucedido, tem grana, se você me largar, não vou me assustar nem um pouco", continua o carioca. "Você acha que vai acontecer isso?", pergunta a namorada. "É um achismo, não é uma certeza. Até você provar o contrário...já estou acostumado a ver as pessoas que eu gosto ir embora", declara o Max. "Vai se fazer de coitadinho...", reclama a gaúcha, que é cortada pelo artista plástico: "Não, sou realista. É muito complicado isso tudo. Você está aqui dentro para saber?", diz Max, apontando para o peito. Max é um ser humano difícil de ser compreendido em sua realidade interior. Ele tem uma personalidade complexa, talvez muito complicada para a percepção de Francine. Ela precisa das palavras para saber o que Max sente por ela, não consegue perceber nas entrelinhas do que ele diz, nos seus gestos principalmente, até nas brincadeiras dele o afeto que ele tem por ela.

Não consigo ver Max como uma pessoa calculista, maldosa, que estaria usando Fran para se dar bem no jogo. Para mim, é um homem íntegro, bom caráter, responsável, muito sensível e zeloso de sua imagem. Um homem que se envolveu com uma mulher instável, carente, cheia de problemas existenciais mal resolvidos, com uma personalidade forte que o deixa cheio de receio de revelar seus sentimentos. No entanto, é visível que ele gosta de Fran, que tem tentado compreendê-la e relevar suas falhas, mesmo na situação conflituosa do cartão (na qual ele sabe não ter ela culpa), suportando as insinuações dos cornos, as brincadeiras de mau gosto de Bial, em rede nacional.

Se Max tem queixas de Francine, ela também tem muito a queixar-se de Max, por atitudes dele que, se não as percebia antes, passou a percebê-las após as críticas de Naná e de Ana. Se ela o magoou, ele também a feriu em várias ocasiões. Portanto, nessa história não existem inocentes nem culpados, porque ambos cometeram erros e acertos, existem apenas duas pessoas com qualidades especiais e defeitos comuns que se gostam, mas que têm temperamentos opostos, cada uma delas com suas diferenças e idiossincrasias, com histórias de vida igualmente complicadas que fizeram deles seres complexos e, ao mesmo tempo, fascinantes.

Queiram ou não Bial e Bobinho, Max e Fran estão escrevendo uma história de amor diferente de todas que já vimos ao longo das edições. E é justamente na singularidade e na originalidade dessa história que reside todo o encanto e sedução que o casalzinho exerce sobre o espírito da legião de fãs fascinada pela novidade que eles proporcionam, numa relação sem precedentes no BBB, longe do modelo “romance tórrido” apreciado por Bial, uma relação despojada de promessas e de juras de amor eterno, com fundo musical e lágrimas ao luar, relação antes de tudo humana, autenticamente humana. Nesta altura do jogo, depois de sorrir e sofre com eles, não os expulsarei mais do topo da minha lista de favoritos.

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