03/03/2009

Naná, angelância e demonismo!

Já observei muito atentamente Naiá, para tentar compreendê-la e mudar a péssima impressão que me causou no início do programa. De uma certa maneira consegui despojar-me da implicância e da minha antipatia por ela, depois que ela voltou do primeiro paredão, com sintomas nítidos de que aprendera a lição e resolvera corrigir a postura no jogo, mas com o correr das semanas voltei às dúvidas sobre Nana como pessoa e como jogadora.

Vale lembrar que Naná não era bem vista por todos na casa, que foi indicada por Léo, depois de ouvir dele críticas severas sobre as suas atitudes deploráveis em relação à Ana, na presença de alguns colegas. Discutiram, protagonizaram o primeiro barraco na casa. Logo depois, Léo indicou Naná para o paredão, no qual estavam Ana e Norberto. Ao retornar com Ana dessa experiência assustadora, mudou a forma como se comportava com Ana, passando a aturar com tolerância o excesso de cuidados da garota, seu exagerado apego, suas futilidades, suas birras, seus pitis de garota rica e mimada e aquele non sense que caracteriza a personagem infantilizada vivida pela catarinense.

Comecei, então, a gostar de Naiá, divertia-me com a sua maneira extrovertida de ser, com exceção dos palavrões e conversas inconvenientes. Todavia, nunca acreditei na sinceridade da amizade entre as duas. Sabia que Naná estava representando o papel da boa, alegre, tolerante vovó como estratégia de jogo. Da mesma forma que Ana usava a estratégia da garota infantilizada mimada, inocente e sincera até às raias da idiotice non sense. Ambas, personagens de uma mesma historinha que se constuía sobre os alicerces do mútuo interesse de tirarem proveito da relação no momento certo da competição pelo prêmio milionário.

A própria Naná disse a Alexandre e a Mirla: “A Ana vai ser fogo na minha vida. Aliás já está sendo. Parece as meninas lá de casa. Preciso tirar a Ana do meu caminho. A presença dela me faz mal, não agüento mais”, concluindo seu desabafo dizendo que precisava brigar com alguém na casa e o alvo escolhido era Ana. Portanto, eu não poderia subestimar a minha inteligência ao ponto de acreditar que, subitamente, Naná tenha passado a gostar de Ana e a apreciar a sua presença pegajosa, sufocante, sem trégua que abominava desde a primeiras semana de convívio. Naná revelou a Newton, inimigo declarado de Ana, na véspera da sua saída da casa, que não tinha confiança em Ana: “Eu não acho Ana confiável”.

Portanto, não me surpreendeu o fato dela não ter imunizado Ana, alegando ter respeitado o pedido desta. Se sabia que a garota estava ameaçadíssima de ser votada para um paredão do qual poderia não voltar, por uma questão de lealdade teria que a imunizar, como fez Fran com Milena. Acontece que ver Ana fora da casa é o que Naná sempre quis, para se libertar do apego pegajoso da “netinha”, das suas indefectíveis chatices e pitis de garota rica, fútil e mimada. Mas fez isto com impecável dissimulação, aproveitando a descomedimento emocional de Ana e seu pedido suicida para que salvasse Maíra em seu lugar. Naiá manipulou com requintes de perfeição a revolta e a impulsividade da catarinense, fingindo estar apenas atendendo a um pedido da “netinha”. Agora pergunto: Naná foi má e cruel com Ana ou apenas uma jogadora habilidosa ?

Sabemos que o BBB é um jogo por dinheiro. Ana é uma ameaça para a consecução do objetivo de Naná de ser a campeã milionária dessa edição, especialmente se forem emparedadas juntas, mais adiante. Como pessoa, como ser humano, Nana foi maldosa, inescrupulosa e impiedosa com a garota que, mesmo sendo uma pedra no seu calo dolorido, foi a pessoa que mais a apoiou e defendeu na casa. Mas que certeza podemos ter que Ana não estivesse jogando, fazendo-se de altruísta com Maíra e induzindo Naiá a cometer um grave erro, manipulando a decisão da avozinha? Se foi assim, ambas se nivelaram, deu empate no jogo, com prejuízo para Ana que não soube jogar e, subestimando a sagacidade da vovó ladina, ofereceu-lhe na bandeja, a oportunidade de livrar-se dela, sem prejuízo para a sua boa imagem dentro e fora da casa.

Naquela casa, todos entraram para “jogar”, sabendo que levará o prêmio o que tiver o melhor desempenho no jogo, sem regras, perverso e cruel do BBB. Assim, se Ana sair da casa hoje, como jogadora Naná terá acertado e ganho a partida para uma adversária forte que tentara uma jogada perigosa com ela, ao pedir-lhe para não imunizá-la e que salvasse Maíra, alegando que já estava acostumada com paredões e que não adiantava adiar sua saída da casa, porque na próxima semana não teria quem a imunizasse para evitar o paredão. Claro que a presunçosa Ana confiava no público que a salvara em três paredões, como disse a Flávio no calor da discussão?

Num Jogo por dinheiro todos são, inapelavelmente, dominados pela cobiça, apagam a ética da memória e perdem a alma na luta para ganhar! Por isso, o aviso de Boninho de que o BBB9 é jogo para gente grande. Portanto é jogo para quem tem nervos de aço, frieza de raciocínio, capacidade de percepção geral do que ocorre ao seu redor e das pessoas. É preciso, portanto, que se tenha em mente que ninguém é santo nesse jogo, que todos jogam e que todos montaram suas personagens. Sendo assim, será pura ilusão achar que há inocência e verdade no BBB, pelo menos enquanto todos estiverem na arena lutando pelo prêmio milionário. Eles não são bons nem maus, são apenas jogadores, cada um com as suas estratégias. As estratégias desonestas e despojadas de ética, de respeito pelo adversário, decerto serão punidas pelo público, na primeira oportunidade.

Como pessoa idosa admiro Naiá, essa sexagenária de bem com a idade e com a vida, desinibida e descomplexada, que sabe conviver com os estragos do tempo em seu físico, que sabe que é velha por fora, mas aderiu de forma entusiasmada e vigorosa à juventude que tem dentro de si, optando pela fruição intensa da vida. Mas somente nesse aspecto a aprecio. No que toca ao seu caráter duvidoso e a forma inescrupulosa como está jogando, não a admiro, não a aprovo, não gosto dela!

Quem pode gostar de uma pessoa que consegue ser impiedosa com o outro num momento difícil, como Naná acabou de fazer com Ana? Enquanto limpavam a cozinha da xepa , Nana lembra a Ana que hoje é dia de tirar alguém do programa e fala que este é um “bom paredão”, acrescentando: “Hoje vamos ver quem está certo: o Ralf ou você. Bom paredão esse, né?”, pergunta a venenosa Naiá. “Não vejo assim. Certo de quê?”, quer saber Ana, mas Naná muda de assunto e as duas deixam a cozinha e vão para a casa. Está claro que a vovozinha está provocando Ana, atiçando-a para tentar que ocorra um bendito barraco entre as duas que seria o tiro de misericórdia na eventual chance de Ana escapar da defenestração, além de ser um valioso contributo para inocenta-la de qualquer acusação de deslealdade à Ana.

Desculpem a minha prolixidade! E só disse a metade do que fervilha em minha mente e faz comícios dentro de mim.

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