08/11/2009

Vila Sésamo


O seriado infantil começou a ser transmitido em 12/10/1972. A ideia de criar a adaptação do Sesame Street foi de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni, o pai), então diretor da Central Globo de Produções e de Claudio Petraglia, diretor da TV Cultura de São Paulo. Na época, a Rede Cultura e a Rede Globo estavam bastante interessadas em adaptar o programa norte-americano. Como a Rede Globo inicialmente não tinha estúdios para filmar o seriado, foi criada uma parceria entre as emissoras. Eis o motivo de Vila Sésamo ter sido exibida pelas duas emissoras até 1974, quando a TV Globo assumiu totalmente a produção do programa.

Conseguidos os direitos da Children's Television Workshop, Vila Sésamo teve sua estréia na TV. Era exibido às 10h45 e 16h, e durava de meia a uma hora. Sua programação transmitia para o público infantil noções sobre números, o alfabeto, divisão silábica e regras gramaticais, por meio de processos lúdicos, brincadeiras musicas, entre outros eventos. Eram igualmente exibidas diversas animações. No total o programa tinha uma duração média de 30 a 60 minutos.

Em um contexto ambientado numa vila operária, na qual seres humanos e bonecos, especialmente crianças, compartilhavam experiências, processos pedagógicos se misturavam a brincadeiras bem-humoradas. A trilha sonora era composta pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, ícones do movimento musical bossa-nova.

Foi a partir de 1973 que Vila Sésamo foi completamente nacionalizada. Foi nesse ano que surgiram as versões brasileiras dos famosos bonecos Garibaldo, Gugu e Funga-Funga. Uma outra novidade era as participações de crianças carentes entre 3 e 10 anos. As únicas cenas não produzidas no Brasil eram as de Ênio e Beto, personagens do Sesame Street, cujas cenas eram apresentadas no seriado.

Com o tempo surgiam novas temáticas, novos personagens, um grande sucesso infantil na TV brasileira. Vila Sésamo só deixou de ser exibida em 1977, por causa dos altos custos da produção e também pelo fim do contrato com a emissora norte-americana. Sua última exibição foi em 04/03/1977.

Garibaldo (Laerte Morrone) era um grande pássaro brincalhão, que muitas vezes errava por ser teimoso e levado por não ouvir bem os conselhos de seus amigos. Fazia as coisas sem querer. Mas sabia voltar atrás quando aprontava e levava broncas, pois tinha um grande coração. Suas penas tinha a coloração "azul indigo" (quase a cor do jeans) e seus olhos bem amarelos.

Gugu era muito rabugento e fazia birra com todos aqueles que chegassem perto do seu barril, no canto do pátio da Vila Sésamo. Era um boneco feito de vários fios de lã verde musgo, tinha nariz azul claro e bochechas laranja. O temperamento e até um pouco do boneco se parece com o atual "Mau" do "Castelo Rá-tim-bum" na TV Cultura.

E existiam os dois amigos Beto e Ênio, que brigavam constantemente durante o programa. Ambos surgiram do Vila Sésamo original, com poucas mudanças no visual dos bonecos. Os nomes americanos deles é Bert (Beto) e Ernie (Ênio). O Beto, de sombrancelhas grossas e de pouco cabelo era muito chato e não tinha paciência de solucionar as dúvidas do bom e ingênuo Ênio. No Brasil eles eram apenas dublados.

Juca (Armando Bogus) tinha uma oficina dentro da Vila Sésamo, onde ensinava as crianças a fazer brinquedos. Ele era casado com Gabriela (Aracy Balabanian) e viviam na parte de cima do sobrado principal. Ela, sempre sorridente, adorava fazer ginástica.

A prima de Juca, a jovem Ana Maria (Sônia Braga) era professora e ensinava as crianças a aprender e entender melhor as coisas do mundo. E o seu par romântico era Antônio (Flávio Galvão), que sempre a visitava quando podia.

O Funga-funga adorava cantar, mas tinha um sério problema: ficava triste porque não entendia porque os outros não o olhavam como gente. Mas dava para entender, já que ele era gigantesco e tinha uma corcova quase do tamanho do Garibaldo. Era um grande boneco laranja que tinha duas grandes orelhas beges.

Tinha também o Seu Almeida (João Lourenço), que contava muitas histórias para as crianças em seu armazém.

Tinha o Caco, o Pantaleão e tantos outros, assim como na versão americana (o "Vila Sésamo" possuiu muitos personagens, mas a base fixa do programa eram estes que apresentei acima). Aliás, dentro da versão dos Estados Unidos foram criados os personagens que dariam origem aos Muppets.

Para quem não viveu isso, ou não se lembra, já houve um tempo onde os programas infantis eram realmente infantis e sem a violência robótica dos desenhos atuais. A dificuldade a criança em delimitar o real e a fantasia proporciona uma confusão em seu imaginário, onde realidade e o que é visto na televisão ocupam um mesmo espaço separado por uma linha tênue. É próprio da criança imitar o que vê e a realidade que a cerca, se a fantasia exibida na TV faz parte daquilo que a criança conhece por realidade, logo ela passa a imitar também o que assiste. As crianças precisam da fantasia, como a encontrada nos desenhos animados, mas é preciso que essa fantasia seja atentamente observada a fim de que proporcione um efeito positivo sobre o imaginário e a conduta da criança, não o contrário.

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