06/04/2009

Salve, salve, Max! Salve querido Grupo B!





Ontem, após Bial anunciar o resultado surpreendente da votação que eliminou a poderosa Ana Carolina, senti-me invadida por um sentimento de alegria tão intenso que parecia não caber no peito! Aquele resultado não era apenas a vitória de David sobre Golias que se repetia diante dos meus olhos atônitos, de onde as lágrimas de emocionada alegria rivalizavam com o meu sorriso escancarado, ambos brigando, como menino ruim, disputando espaço em minha face. Era também o triunfo do grupo B que eu via acontecendo no triunfo de Max, com tudo o que ele contribuiu para fazer do BBB9 a melhor, a mais sedutora, a mais interessante e exuberante edição da história do programa.

Ali estavam os três representantes do bendito Grupo B, unidos em um só abraço, felizes pela certeza de terem protagonizado os principais papéis e se afirmado como as grandes estrelas do inigualável espetáculo que a Globo levou ao ar, durante três meses. Um longo tempo para quem está confinado e para quem, como eles vive suas venturas e desventuras, sem que a monotonia, o mesmismo e o tédio tivessem chance de fazer sequer uma pequenina figuração na representação magistral do teatro da vida, que tivera como palco e cenário a casa dos confinados da melhor de todas as edições do BBB.Naquela vitória de Max se somavam a vitória de Francine (a que Boninho em sua peculiar deselegância, chamou de “morena burra”) e a vitória de Priscila (rotulada pelo refinado diretor do reality como “cachorra”), cada um deles quebrando paradigmas e impondo à sociedade preconceituosa um novo modelo de homem e de mulher, uma nova maneira de estar na vida, na sociedade e nos afetos.

Abraçados no gramado, os três vitoriosos uniam os rostos e misturavam as lágrimas e os sorrisos, lavando os corações e limpando as suas almas das magoas e das tristezas que viveram até chegarem à finalíssima. Aquele momento de profunda emoção, no qual chorei e ri com eles, deu-se em mim a revivescência do meu antigo afeto por Priscila, que eu julgara morto, trazendo-a de volta ao aconchego do meu coração com todos os seus muitos defeitos e suas tantas qualidades que eu postergara, por ter exigido dela uma perfeição que eu mesma estou longe de possuir. A vitória de Max foi também o triunfo da nobreza de caráter, da honestidade, da integridade, da gentileza, da tolerância, da grandeza de alma, dentre outras virtudes desse homem tão especial.

A vitória de Max, Francine e Priscila assinala, além do triunfo da nona edição do BBB, a celebração de novos conceitos, de novas formas de comportamento de homens e de mulheres que os três representam. Com a singularidade e a peculiaridade das suas diferentes personalidades, implodiram paradigmas ultrapassados, romperam com os dogmas dos modelos e livraram-se da tirania das normas pré-estabelecidas de conduta, que recusam a mudança, o novo, o diferenciado, condenando a diferença e negando a legitimidade do direito que todos têm de serem livres na expressão particularidades das suas personalidades, das suas formas pouco ortodoxas de estarem na vida, na amizade e nas suas relações com o mundo que os rodeia.

A vitória de Priscila representa a vitória da mulher bem resolvida, destemida, e ousada que ignora a censura dos conservadores e, entre erros e acertos, vai se impondo e, mais que tudo, derrubando os preconceitos contra a mulher de formas exuberantes e fartas, que assume e expressa a sua sensualidade, com aquela inocência pagã das mulheres de civilizações antigas, milenares, que desconheciam a noção do pecado e fruíam os prazeres da carne livres do peso da culpa. Ela foi a surpresa da edição, pois surgiu como a gostosona descolada da edição, fadada a ser eliminada em poucas semanas. Mas, logo começou a mostrar que não era apenas uma mulher exuberante e sensual, era uma cabeça pensante, inteligente, bem articulada, dotada de uma forte personalidade.

Max agigantou-se na vitória que, em sua humildade julgava impossível, por ver em Ana uma jogadora poderosa e bem mais forte que ele. Todavia, foram as suas qualidades ímpares e sua atitude de jogador declarado e ético que foram celebrados pelo público através dos votos. Francine, a miss despojada de vaidade, não fez da sua beleza a bandeira e a arma de sedução, nem a principal fonte de suas preocupações. A mulher linda, polêmica, cheia de dúvidas e conflitos interiores, depois de muitas idas e vindas, descobriu, com Max, que o amor é um ato misterioso, o mais belo das suas vidas, que se opera, antes de tudo, no segredo das almas, no fundo dos corações.

Talvez não tivessem passado por tantos conflitos, se soubessem que nascemos radicalmente incompletos e que é o amor que, trazendo o Outro para junto de nós, preenche, nos limites de sua contingência e relatividade, os vazios e as feridas da nossa incompletude. Mas acertaram, quando encararam as críticas e as dúvidas dos outros que não viam na relação deles a repetição dos modelos pré-estabelecidos que todos seguem, mostrando que o amor não os prendia apenas pela superfície deles mesmos, pelos olhos, pela boca e pelas mãos; mas era uma força que devia uni-los por todas as pontas do ser e com laços indestramáveis. Não importando se continuará ou não além das fronteiras do mundo mágico que habitaram na casa dos confinados, portando que seja infinito, intenso e verdadeiro enquanto dure, como diria o poeta Vinício de Moraes.

Deste modo, eles também romperam paradigmas, ousaram assumir a diferença e a singularidade de um relacionamento que não envolve práticas sexuais em rede nacional, tampouco se perde em arroubos de romantismo folhetinesco. Desse modo, para eles, amar não é olhar um para o outro, enternecidos e descuidados, amar é, antes e principalmente, olharem ambos na mesma direção. Pois, sem isso, sem essa reciprocidade na ordem da inteligência e na ordem do coração, o amor não passa de um divertimento, de uma autêntica caricatura, se já não fosse banalizar e prostituir o amor. Salve Max! Salve Francine! Salve Priscila! Salve Grupo B! Salve Milena, Léo e Noberto! Salve a valorosa e intrépida torcida que não mediu esforços para alavancarem a vitória do nosso Benhê!

Agora, os três amorecos estão expostos à nossa escolha para premiá-los. Sinto-me diante de uma difícil escolha. Mas, já decidi: Max ou Francine no primeiro lugar(não consigo ainda fazer a escolha, o povo que decida), Priscila no terceiro (aqui é uma certeza).

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