15/09/2008

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...

Essa poderia ser a sua filha. Linda, despertando para a vida. Sonhos na cabeça, ideais, projetos. O primeiro namorado, a formatura do ensino médio, o ingresso na faculdade, a formatura com direito a anel e valsa, o casamento, filhos.

Passear de mãos dadas, namorar na areia da praia, voar de asa delta, mergulhar nas ondas do mar, correr, dançar, sorrir, chorar, ver TV, assistir a um show de rock, ir ao teatro, passar horas no shopping com as amigas sem comprar nada.

Sair para a balada e deixar a mãe preocupada, arrumar seu primeiro emprego, ter sua primeira briga com o namorado, jurar amor eterno a um amigo, passar madrugadas ao telefone colocando a conversa em dia.

A primeira menstruação, o primeiro sutiã, a primeira noite fora de casa, a primeira viagem sem os pais...

Flavia teve todos os seus sonhos aprisionados em seu cérebro inconsciente. Sua vida parou aos 10 anos. Aos 10 anos de Flavia começou a luta de Odele. Flavia, hoje com vinte anos, não passou por nenhuma dessas situações, tão normais na vida de qualquer jovem.

Flavia teve não só seus cabelos sugados, como a vida sugada para dentro daquele ralo. Junto, levou também os sonhos da mãe Odele. Os sonhos se foram, mas, da fatalidade, surgiu uma guerreira.

Eu, humildemente, me uno à Blogagem Coletiva Justiça Para Flavia e ofereço todo o meu carinho à essa sofrida mãe e à essa menina-mulher que talvez nunca saiba a maravilhosa mãe que tem. Mas vai sentir, tenho absoluta certeza disso.

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